Pegasus

Fazenda Monte Olimpo

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THESEUS 

Pasiphae, mulher do rei de Creta, Minos, recebeu um terrível castigo por ter-se apaixonado por um touro e deu à luz a um ser metade homem, metade touro que recebeu o nome de Minotaurus. Para alimentá-lo o rei Minos exigia sete jovens e sete virgens da cidade de Athenas, a cada nove anos. Eram enviados de navio para Creta e enfiados no labirinto, e com eles o Minotaurus se alimentava. Por duas vezes Athenas pagou esse tributo mortal, devido pelo rei Egeu, porque, anos atrás, tinha participado da morte do filho de Minos. Na terceira vez, um jovem herói se apresentou como voluntário, e prometeu matar o Minotaurus ou morrer em suas mãos. 
  
Seu nome era Theseus, filho adotivo do rei de Athenas, Egeu. Seu verdadeiro pai era o deus do mar, Poseidon. Theseus já havia provado ser um bravo e expedito. Egeu lhe disse: “Antes, os navios que eu mandava para Creta só tinham velas negras, de luto, pelas pessoas que seriam mortas pelo Minotaurus. Dessa vez, o navio levará também velas brancas, como símbolo de nossa esperança. Se você matar o monstro, ice as velas brancas quando regressar, para sabermos que você foi bem sucedido e podermos nos regozijar”. Assim o navio partiu.   
Quando o navio atracou em Creta, Theseus anunciou-se como filho de Poseidon e desafiou Minos. “Filho de Poseidon!”, zombou Minos. “O grande Zeus é testemunha de que sou seu filho, mas será que Poseidon faria o mesmo?”.   
Theseus mergulhou a cabeça no mar, onde um bando de golfinhos (Dolphins), levantando o dorso por cima da espuma, o escoltou até o leito do mar. Lá ele recebeu de Amphitrite, deusa do mar, um anel dourado e uma corroa de jóias. Quando os golfinhos o trouxeram de volta para a praia, ele levantou os preciosos presentes para que todos pudessem ver o quanto ele era favorecido pelos deuses. 
  
“Rei Minos”, ele disse, “vim libertar o Minotaurus do corpo deformado, no qual é prisioneiro pela malícia dos deuses e a estupidez da humanidade. Se você for um grande homem, permitirá que eu entre no labirinto e mate a criatura com minhas próprias mãos. Se eu tiver sucesso, Athenas não lhe deverá mais nenhum tributo. Se falhar, deixe que ele beba meu sangue”. “Muito bem”, disse o rei Minos. “Pode tentar, filho de Poseidon”. No dia seguinte, a filha de Minos, Ariadne, que havia se apaixonado pelo nobre Theseus, aproximou-se dele, dizendo: “Se você me levar para Athenas como noiva, eu lhe mostrarei a chave do labirinto, que me foi dada pelo próprio Daedalus, seu arquiteto”. Theseus concordou, e Ariadne lhe entregou um rolo de linha.   
“Prenda uma ponta do fio na entrada do labirinto”, disse ela, “e deixe o rolo seguir por onde quiser. Siga-o, e ele o levará até o centro, onde encontrará o hediondo covil de meu meio-irmão, o Minotaurus. Vá à noite, quando ele dorme, e poderá estrangulá-lo onde estiver deitado. Depois, simplesmente enrole a linha, e ela com o guiará para fora”.   
Naquela noite Theseus fez como Ariadne lhe ensinara. Enquanto mergulhava na escuridão do labirinto, o fio parecia brilhar e guiar seus passos na direção de sua presa. Quando Theseus pôs as mãos na besta adormecida, esta despertou e, com um rugido, agarrou-o num abraço mortal. Mas Theseus era mais forte e, enquanto lutavam, quebrou a espinha da criatura e a matou. 
  
Quando Theseus saiu do labirinto, com o rosto branco e o corpo manchado de sangue, Ariadne estava lá para recebê-lo. Eles embarcaram no navio, com os demais jovens athenienses, e soltaram as amarras antes que o rei Minos soubesse o que estava acontecendo. 
  
Theseus não tinha falado a verdade para Ariadne que o tinha ajudado por amor, e ele aceitara sabendo que realmente não queria casar com ela. Quando, alguns dias mais tarde, desembarcaram na ilha de Naxos, Theseus deixou Ariadne dormindo na praia e navegou sem ela. 
  
Theseus ficou tão excitado por ter abandonado Ariadne que esqueceu a promessa feita ao pai. Quando o navio chegou à vista de Athenas ainda estava com as velas negras do luto, e não com as brancas da vitória. 
  
O rei Egeu, que amava Theseus mais do que sua vida, jogou-se ao mar e morreu afogado, que desde então ficou conhecido como mar Egeu. Assim o heroísmo de Theseus ficou manchado pela traição e a recepção ensoberbecida pela dor. Mais tarde o herói Theseus tornou-se rei de Athenas, e terminou a vida vivendo como aventureiro errante.